Procura-se
A CO.R está crescendo! E nós do design estamos procurando um estagiário para nos ajudar a saciar esse apetite sem fim dos planejadores por inspiração!
Quem se interessar, é só mandar o portfólio para koala@corinovacao.com.br.
Obrigado!
Koala e Daniel
O rico, o pobre e a bicicleta

Tenho ouvido frequentes depoimentos sobre uma nova experiência: andar de bicicleta na nova ciclovia paralela a Marginal Pinheiros.
A pista de 14km foi inaugurada em fevereiro, liga os bairros da Vila Olímpia e do Socorro e reúne adeptos que vão de colegas da faculdade a pessoas de classes mais baixas que conheço nas vivências que fazemos para a CO.R.

Entre capivaras e arranha-céus, a ciclovia entrega para a cidade mais do que uma nova possibilidade de lazer ou transporte, mas um novo espaço de convivência democrática entre o rico e o pobre, que permite o cruzamento de olhares entre as bikes e as ‘magrelas’. Nossa versão (mais paulistana impossível) para as ‘faixas de areia’ cariocas - nossa ‘faixa de asfalto’.
Rafael Mendonça
Nada é só bom
Jornalista, escritora e documentarista.
Ao assistir ao novo filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade”, fiquei desesperada porque não tinha uma caneta e um bloquinho. Eu nunca ando sem uma caneta e um bloquinho. Mas assisti ao filme na abertura do Festival de Cinema do Rio, na quinta-feira (23/9), vestida para festa e com uma daquelas bolsas ridículas onde mal cabem o batom e o dinheiro do táxi. Um problema quando ouvimos uma frase realmente ótima e tudo o que encontramos para retê-la é um bastão com algum nome bizarro como “beijo fatal”. Tive de apelar para a minha péssima memória porque há no filme algumas frases imperdíveis. Daquele tipo essencial, tão boas que parecem simples e até óbvias e você quer morrer por nunca tê-las escrito. Estas frases unem as memórias do cineasta, que vão emergindo no filme do mesmo modo que as lembramos na vida – sem linearidade e só aparentemente descosturadas. Fiquei repetindo-as durante toda a sessão para mim mesma. Consegui que sobrevivessem razoavelmente ilesas. E a primeira delas é a do título desta coluna: “Nada é só bom”.
Virou meu mantra desde então. Vejo tanta gente sofrendo por aí, achando que sua vida está aquém do que deveria ser, porque tudo deveria ser só bom. Não sei quando nos enfiaram garganta abaixo esta ideia absurda de um estado de felicidade absoluta. Uma espécie de nirvana a ser alcançado em que nada mais nos perturbaria e que seríamos felizes para sempre. Na verdade, só há um jeito de isso acontecer: podemos ser felizes e mortos. Porque este estado imperturbável, imune à vida, só se alcança na morte.
Acho que a grande causa atual de infelicidade é a exigência da felicidade. É o deslocamento do lugar da felicidade para o centro da vida, como um fim a ser alcançado e a medida de uma existência que valha a pena. Se nos lembrarmos bem dos contos de fadas, o “e foram felizes para sempre” era exatamente o fim da história. Era quando o conto morria num ponto final porque não havia mais nada relevante para ser contado. Tudo o que interessava, o que nos hipnotizava e nos mantinha pedindo a nossos pais ou à professora ou a nós mesmos “de novo, conta de novo”, era o que vinha antes. O desejo, as turbulências, os avanços e recuos, os tropeços e os arrependimentos, os erros, o frio na barriga, a busca. Tudo aquilo que é a matéria da vida de todos. O que realmente importa.
Acho impressionante a quantidade de adultos pedindo um final feliz para as suas vidas, para suas histórias de amor, para o sucesso profissional. Não há nenhum mistério no final. Independentemente do que cada um acredita, o fato é que no final a vida como cada um a conhece acaba. Para viver, o que nos interessa não são os pontos finais, mas as vírgulas. Os acontecimentos do meio, o enredo entre o primeiro parágrafo e o último.
Escrevo pequenas histórias de ficção em um site de crônicas e alguns leitores se manifestam, por comentários ou por email, reclamando do desfecho. Eles me ensinam sobre esta exigência da felicidade por toda parte. Pedem, com todas as letras, “um final feliz”. Sentem-se traídos porque não dou isso a eles. Mas voltam na semana seguinte para se perturbarem com o desfecho do novo conto e reclamar mais uma vez. São adultos pedindo histórias da carochinha. E consumidores bem treinados para achar que tudo é produto de consumo.
Acham que ofereço a eles cachorro-quente. Por favor, um pouco mais de mostarda, duas salsichas, menos pimenta no molho. É muito interessante. Mas, de algum modo, algo nos meus “finais infelizes” os engata. Porque, em vez de me deixar para lá e ler algo mais “feliz”, voltam por alguma razão. Talvez descobrir se me rendi a tal da felicidade.
A ideia de felicidade como um fim em si mesmo encobre e desbota tanto a delicadeza quanto a grandeza do que vivemos hoje, faz com que olhemos para nossas pequenas conquistas, nossos amores nem sempre tão grandiloquentes, nosso trabalho às vezes chato, como se fosse pouco. Apenas porque nem a conquista nem o amor nem o trabalho é só bom. E há uma crença coletiva e alimentada pelo mundo do consumo afirmando que tudo deveria ser só bom. E se não é só bom é porque fracassamos.
Deixamos então de enxergar a beleza de nosso amor imperfeito, de nossa família imperfeita, de nosso trabalho imperfeito, de nosso corpo imperfeito, de nossos dentes imperfeitos e até de nossas taxas de colesterol imperfeitas. De nossos dias imperfeitos. Escolher como olhamos para nossa vida é um ato profundo de liberdade que temos descartado em troca de propaganda enganosa.
Tanta gente se esquece de viver o que está aí em troca desta mercadoria ordinária chamada de felicidade. Que, como toda mercadoria, tem essência de fumaça. Se tivesse de escolher entre esta felicidade de plástico que vendem por aí e a infelicidade, preferiria ser infeliz. Pelo menos, a infelicidade me faz buscar. E a felicidade absoluta é mortífera, ela mata o tempo presente.
Não tenho nenhum interesse por esta pergunta corriqueira: “Você é feliz?”. Acho uma questão irrelevante. O que me interessa perguntar a mim mesma – e pergunto a todos a quem entrevisto é: “Você deseja?”
Desejar é o contato permanente com o buraco, com a falta, com a impossibilidade de ser completo. Desejar é o que une o homem à sua vida. Une pela falta. Tem mais a ver com um estado permanente de insatisfação. Não a insatisfação que paralisa, aquela causada pela impossibilidade da felicidade absoluta; mas a insatisfação que nos coloca em movimento, carregando tudo o que somos numa busca permanente de sentido. Desejar é estar sempre no caminho, conscientes de que o fim não importa. O fim já está dado, o resto tudo é possibilidade.
No filme de Arnaldo Jabor, as melhores frases são de Noel, avô do personagem principal, vivido pelo enorme Marco Nanini. Numa ocasião ele diz ao neto: “Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre”. E completa: “A vida gosta de quem gosta dela”. Achei de uma simplicidade brilhante. É isso, afinal. É claro que há uns poucos momentos de felicidade, mas, como diz Noel em seguida, eles duram no máximo uns 10 minutos e se vão para sempre.
Em vez de ficar perdendo tempo com finais felizes ou se perguntando sobre a felicidade ou invejando a suposta felicidade do vizinho ou se sentindo mal porque não é um personagem de comercial de margarina, vale mais a pena tratar de viver. Tratar de gostar da vida para que ela goste de você.
Aliás, nada me dá mais medo do que gente que vive como se estivesse num comercial de margarina. Se aceitarem um conselho: corram dessas vidas de photoshop. Elas não existem. Gente de verdade vive do jeito possível – e tenta lembrar que o possível não é pouco. Isso não significa se acomodar, pelo contrário. Mas abrir os olhos para a novidade do mundo na soma subtraída de nossos dias, desejar a vida que nos deseja.
É como em outra frase, esta dita por um comprador ambulante de coisas antigas num momento crucial do filme. Um delirante Noel, assustado com a proximidade da morte e disposto a retomar a alegria, sacode na rua o personagem de Emiliano Queiroz, gritando: “Hoje é sábado, hoje é sábado”. E o comprador de coisas que já perderam o sentido diz a frase antológica, digna de um frasista como Nelson Rodrigues: “O sábado é uma ilusão”.
Sim, o sábado é uma ilusão. Então, lembre de viver também de segunda a sexta.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)
Lali
A arte tece, entranhada nela mesma, uma política.
A tão esperada 29 Bienal já está aberta a visitações desde sábado. Depois da Bienal passada, intitulada “Bienal do Vazio”, fracassada e cheia de problemas políticos, a desse ano “Há sempre um copo de mar para um homem navegar“ promete esquentar os pavilhões.
Ontem eu estive por lá para acompanhar a performance do Zé Celso que escolheu um texto do artista Flavio de Carvalho (O Bailado do Deus Morto) para encenar nas rampas do prédio que ele considera “a mais maravilhosa obra de arte que existe lá, que é o Himalaia do Niemeyer” . Com 50 atores vestidos de faunos, cobertos de barro, com o corpo a mostra, a peça narrou o nascimento e morte de um deus entre os homens. A peça era um lamento sobre a morte. Mas Zé Celso, que interpreta um “renascido” Flávio de Carvalho, inverteu o sentimento de lamentação e transformou em exaltação, causando tumulto numa multidão que se apertava nas rampas para ver um pedacinho da apresentação.
A Bienal que só tem dois dias de visitações já acumula algumas polêmicas.
No sábado um pixador conseguiu entrar com spray pelo prédio (ele era um dos artistas convidados pela Bienal do grupo de pixadores SP e não passou pelo detector) e pixou a obra de Nuno Ramos.
A obra atacada é uma gigante instalação intitulada Bandeira Branca, onde 3 urubus criados em cativeiros fazem parte. O grupo cortou a grade protetora do projeto e invadiu o espaço para deixar a mensagem de protesto Liberte os Urubu.
De acordo com a Fundação, a proposta artística de Nuno Ramos atende aos requisitos legais referentes ao trato com animais.
E ainda tem os desenhos incríveis do Gil Vicente que a OAB-SP divulgou uma nota em que se coloca contra a exposição da série, “por fazer apologia ao crime”.
Urubus enjaulados, que voam ao som de “Bandeira Branca” e “Carcará”, não apontam armas nem enfiam a faca na garganta do presidente, mas parecem fazer as mesmas críticas numa época de eleição onde entre opções de candidatos temos no cardápio o Tiririca como favorito de grande parte da população.
Faz pensar.
confira: site da Bienal
Lali
Patrícia Field
Nem High nem Low nem high low
O que importa é ser divertido e ser feliz
Essa foi a fala que mais me tocou da estilista Patricia Field, com seus cabelos de cor magenta, que falou em evento de inspiração da Marie Claire essa semana.
Patricia ficou conhecida no mundo todo como a estilista do Sex In The City, um seriado que mudou a história dos seriados americanos.

Porém a carreira de Patricia Field é muuuuuuito mais interessante do que isso. Só no mundo do cinema e da TV ela também é responsável por projetos como “O diabo veste Prada” e ” Betty, a Feia”. Sua forte ligação com o mundo gay e o universo dos nightclubs nova iorquinos a coloca sempre a frente do fashion tradicional. Ela é festejada por nomes como Jennifer Lopes, Shakira e Britney Spears.
Aos 68 anos, a estilista tem entrado forte no Japão com diferentes parcerias com marcas como Crystal Ball, para quem fez uma linha de acessórios, foi estilista da Smacky Glam por 2 anos e fez uma linha exclusiva de relógios Rolex por Ash& Diamonds.
Patricia Field, com quase 70 anos continua sendo uma visionária na forma como interpreta o mundo, muito além do fashion. Em um projeto patrocinado pela Coca Cola, por exemplo, foi convidada para criar embalagens pop para a COKE LIGHT.

O que gosto em pessoas como a Patricia Fied é seu desapego com o que já está feito e a motivação para conitnuar fazendo. É uma estilista que, apesar de ter criado um mega movimento que faz todo o sentido, o “high low” que combina peças dos grandes estilistas, muitas vezes vintage, com peças fast fashion dos magazines, pensa que o que vale mesmo é as pessoas se produzirem de forma divertida e serem felizes com o resultado. Isso nos leva a pensar mais leve sobre o nosso eterno compromisso com o desejo de fazer diferença e mandar o ego para longe. Aí tudo fica mesmo muito mais high! Patricia Field é uma grande inspiração!
Rita
Sankai Juku
Já havia dito num post anterior do quanto tenho gostado de ver dança. Semana passada São Paulo recebeu a maior companhia japonesa de butô, Sankai Juku no Teatro Alfa - e eu fui lá conferir.
O butô se tornou conhecido no mundo pelo trabalho de Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, o último falecido recentemente (escrevi um post sobre a morte dele por aqui). É considerado um balé de acentuada expressão corporal pós-Hiroshima. Ushio Amagatsu faz parte da segunda geração do butô, criador do grupo Sankai Juku - que se apresenta mundialmente e está entre os grupos mais importantes de dança da nova geração.
Tobari – Como um Fluxo Inesgotável é o nome do novo espetáculo, que também significa a passagem do dia para a noite. Os movimentos são minimalistas e extremamente valorizados que nos levam a uma espécie de meditação e deslumbramento. A trilha é completamente oriental, os figurinos são feitos pelos próprios bailarinos que apesar de estarem muito parecidos (mesma roupa, todos carecas) se diferenciam sutilmente pelas expressões faciais. É um coro cheio de personalidade, força, dor, leveza e capacidade de nos fazer sonhar.
O agradecimento é um espetáculo a parte. Eles dançam e derramam o coração para o público - apenas com os olhos e mínimos gestos com a cabeça e com as mãos. Inesquecível.
Abaixo, um pedacinho da entrevista que ele deu a Folha de SP - para entender melhor o processo de trabalho de Ushio Amagatsu:
No que consiste sua filosofia de trabalho?
Escrevi um livro chamado “Diálogo com a Gravidade”. Pense em um bebê, leva um ano para ficar em pé! Na medida do tempo suas áreas de contato com a terra vão diminuindo. Ele começa deitado, depois engatinhando, para finalmente se firmar com as pernas. Ou seja, de peixinho no ventre da mãe, ele se transforma em réptil, em quadrúpede e em bípede. Todo aquele contato com a terra vai parar em dois pontos. Para mim, isso define o homem. Eu procuro reconstruir esse processo.
Como?
Partindo de um relaxamento total, para a tensão do movimento. No Ocidente o que se faz é o contrário, parte-se de uma tensão para se tentar chegar ao relaxamento. Vocês buscam os passos mais difíceis, enquanto no butô buscamos os mais simples. A economia de energia é fundamental.
Exatamente belo
Não é novidade pra ninguém que os números tem relação com muito mais coisas do que imaginamos. Coisas improváveis, completamente subjetivas e mesmo duvidosas, como a concepção de belo. Outro exemplo são os fractais: um ramo de estudos da geometria da qual sei quase nada, a não ser o fato de que estuda objetos de complexidade infinita. Objetos em que cada parte é subdivida em partes idênticas a si mesma, até o infinito.

O brócolis romanesco tem composição fractal.
Ontem me deparei, nesse site sensacional, com uma experiência que envolvia tudo isso. Uma interface visual, com geração em tempo real de elementos gráficos, de profundidade infinita, que é feita 100% em linha de programação e, de quebra, consegue ser esteticamente agradável!
Navegando pelo pequeno experimento, ele realmente não muda a vida de ninguém, mas realmente me impressionou por extrair, da pureza dos números, sensibilidade artística. Me fascina a idéia de que números podem ser a base de uma experiência que pode nos atingir em um nível sensorial que, imaginamos, nada tem a ver com o lógico mundo das exatas.
Para conferir, clique aqui.
Koala
Legal, barato e decorativo
A Rita estava navegando pelo site apartment therapy e encontrou uma listinha de coisas que você pode colecionar, que ficariam demais na sua casa, sem despender muitos reais (ou dólares, no caso) da sua conta bancária.
Eis que, para nossa surpresa, colecionar borrachinhas coloridas e agrupá-las de um jeito legal é uma das opções. A foto ilustrativa é de uma bolinha gêmea da bolinha da CO.R.
Os elásticos coloridos da bolinha da CO.R representam as várias pessoas com quem conversamos para construir um pensamento co.criativo. Uma rede de idéias, sentimentos, sensações que juntos ganham força e forma.
Fica a dica decorativa e conceitual!
Maeda
Pegando a onda do post abaixo:
Para uma pausa no trabalho, para se inspirar nos momentos que fogem as idéias, para levantar o astral, para conferir, clique aqui porque vale a pena: unurth.com
Esse blog de arte de rua é incrível!
Enjoy it!
Lali
CO.R às 5
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