Recalculando expectativas
Clarice Lispector já dizia: “O que se faz depois que se é feliz?”
Achei interessante como ela fala da importância da coragem e da teimosia em estar ali todos os dias, em comparecer para fazer o seu trabalho se preocupando apenas com o que se tem controle sobre. Eu acredito que vai um pouco além. Mais do que coragem, é preciso generosidade. Generosidade com você, com seu tempo e com a sua vontade genuína em fazer tudo sempre melhor.
O vídeo é um pouquinho longo, mas acho que vale a pena assistir!
Geladeiras Antigas
Essa semana conheci o Ernesto, um cara simples que tem uma oficina escondida no meio da Vila Madalena.
Técnico de refrigeração e amante de carros antigos, conseguiu unir sua aptidão - arrumar geladeiras - com sua paixão - coisas antigas - num negócio que vai de vento em popa.
Ele é um dos donos da Geladeiras Antigas (geladeirasantigas.com.br). Uma oficina que restaura geladeiras antigas e a transforma em obras de arte.
Ele vende geladeiras (com aperto no coração, pois diz que se apega à elas), restaura geladeiras antigas e novas de clientes do Brasil todo. Na hora de falar sobre a geladeira que ele mais gostava, escolheu uma que lembrava o pára-choque de um carro.
O cara é uma figura, sua vida daria um livro e seu trabalho é simplesmente impecável. Moral da história: sai com uma geladeira antiga para decorar minha casa…
Mari
Quanto vale um gesto
Hoje parei por uns instantes para refletir no que realmente importa. Naquilo que faz a vida ganhar sentido e me impulsiona para fora da cama todos os dias. E foi nessa pegada que me encontrei com o vídeo de um José. Um José que poderia ser como tantos outros “josés”, mas que resolveu fazer diferente.
Este José que me chamou a atenção foi o José Antonio Abreu, fundador de um sistema de orquestras de jovens que já transformou a vida de milhares de crianças na Venezuela. No vídeo ele compartilha sua admirável trajetória, mas uma citação que ele faz de Madre Tereza de Calcuta mereceu destaque por vir ao encontro de tudo aquilo que eu pensava antes mesmo de sair da cama.
Segundo ele, Madre Tereza afirmava que o “pior e mais trágico da pobreza não é a falta de teto e a falta de comida, mas sim a falta de identidade, o sentimento de não ser ninguém, de não ser nada” e é justamente para reverter esta situação, para trazer significado para a vida dessas crianças que ele se propos a desenvolver este projeto.
Segundo ele, a música se constitui na fonte do desenvolvimento das dimensões do ser humano, que eleva sua condição espiritual e o conduz a um desenvolvimento integral de sua personalidade, por isso ela tem este poder de trazer significado para a vida dessas crianças a ponto de realmente reverter sua trajetória de vida, salvando-a do nada a que ela estava destinada.
Este vídeo me fez pensar duas vezes antes de caçar uma moeda qualquer no fundo do bolso e lançar às mãos ávidas de tantas crianças que me interpelam pelas ruas todos os dias. De repente Madre Tereza esteja certa, o problema pode não estar em não ter nada.
Ao invés da moeda sem valor para mim e para a criança, vou experimentar um sorriso ou um abraço, ou, quem sabe, dez minutos da minha atenção, da minha vida. Talvez eu passe amanhã pelo mesmo lugar que passo todos os dias e ele não esteja mais lá e eu ganhe algo de realmente novo nessa minha rotina.
De repente assim eu tenha mais motivos para os quais me levantar todas as manhãs.
Franklin
VADO AMADO ENCONTRADO
O Vado é meu amigo há mais ou menos 35 anos, desde que a gente era adolescentes. Nossa amizade virou uma terceira pessoa que a gente cuida e alimenta sempre.
O Vado foi se tornando um cumplice de vida e uma inspiração constante.
Depois de morar 20 anos em Londres, Vado agora voltou para o Brasil. Ontem fui conhecer seu atelier, que trago aqui para poder socializar sua doce e original inspiração. A arte dele parte dos objetos do dia a dia, reutilizados e transformados em conceitos que trazem um tanto de romance para a nossa vida cotidiana. É Vado, nos tempos de redes sociais eu quero dividir com os leitores do CO.R AS 5, sua visão de mundo tão peculiar e inspiradora.
Rita Almeida
Copiar para criar?!
Hoje estive buscando inspiração pelos blogs afora e cruzei com um post mega interessante da Laura Artigas, jornalista e blogueira do Moda pra Ler (a Laura é inclusive nossa parceira em muitos projetos de moda aqui na CO.R).
O post dela é sobre um vídeo do TED que tem a moda como tema principal.
A palestrante é a Johanna Blakley que discorre em 15 minutos sobre como a cópia é recorrente na indústria da moda. Até aí, nenhuma novidade, mas a grande questão da visão dela sobre o assunto é como a cópia no mundo fashion acabou motivando estilistas a aperfeiçoarem suas criações para que elas se destaquem como ícones de sua marca e estejam menos vulneráveis às reproduções descaradas.
Além disso, ela conta como é a questão da cópia em outras categorias que permitem isso e o mais curioso, ao final, é o gráfico que mostra o crescimento das categorias que permitem cópia vs aquelas que são protegidas por trademark. Advinha quais são as que crescem mais?
Vale muito a pena ver o vídeo inteiro e ler o post da Laura sobre ele:
http://www.modapraler.com/2010/07/mirem-se-no-exemplo.html
Vanessa Yadoya
Segunda Guerra contada pelo Facebook
Estes dias me deparei com esta imagem e achei incrível, não pela forma com que narra os principais acontecimentos da 2ª Guerra Mundial, mas porque traz em si um novo olhar sobre a arte de contar histórias, pautada no referencial do espectador e não no carater hermético dos fatos e da relação particular tecida pelos diferentes personagens envolvidos na trama.
Muito se diz da falta de criatividade dos adolescentes de hoje, do seu desinteresse por assuntos de real relevância e de como as redes sociais, internet e tecnologias ocupam o tempo que antigamente poderia ser direcionado a leitura de um bom livro, como diria os saudosistas do mundo analógico.
O que não se discute em meio a este enredo todo é a forma com que as velhas histórias podem ser contadas e adaptadas, de modo a torná-las mais interessantes para um jovem imerso neste contexto que a web 2.0 sugere.
É fácil julgar uma platéia como inepta ou letárgica diante de uma aula ministrada por professores, doutores e mestres. Os culpados são rapidamente enumerados e condenados, e quase sempre representam justamente o universo do qual os mesmos mestres e doutores não fazem parte.
Realmente é difícil rever valores, significados e crenças de forma a se colocar na perspectiva do espectador e iniciar um processo de reconstrução de seus próprios preceitos, tantas vezes imaculados, validados e chancelados por uma lista de títulos e diplomas. Diante de uma resposta errada, difícil questionar se a pergunta esta certa.
E o que se tem como resultado é uma geração de jovens desatentos, desinteressados, imediatistas e pouco criativos, condicionados a acertar a resposta aprendida, sem muitas indagações ou questionamentos, uma vez que a história não é passível de novas versões. Chegamos em um ciclo vicioso de projeções auto-realizáveis.
Deixando de lado o “Dilema Tostines” que se coloca diante do processo de educação tradicional, deixo aqui a Segunda Guerra Mundial contada pelo Facebook que me traz esperanças ao pensar que quando o erro está na forma., qualquer culpa ou condenação soa em tom de lamúria. Esta ai uma versão não contemplada pelos livros de história.

Franklin
Móveis práticos
Recentemente desenvolvemos um projeto que nos fez aprender um pouco mais sobre o universo imobiliário, as mudanças recentes na área e expectativas para o futuro.
Um dos aprendizados foi perceber que o mercado imobiliário mais do que nunca está vivendo um momento de evolução e transição.
A pesquisa de compra através da busca online por exemplo, é apenas um dos pontos de mudança na hora de escolher uma opção, que ficou muito mais dinâmica e ágil.
O comportamento focado na praticidade começa na escolha de um apartamento que tenha um condomínio proveitoso que proporcione lazer e facilidade. Ampliando ainda mais, a facilidade no acesso locomotivo influencia na escolha do bairro, que também espelha o estilo de vida. Olhando com atenção, percebemos que as escolhas estão baseadas no conforto e praticidade o dia a dia.

Um outro fator de mudança gira em relação aos preços. Os imóveis estão cada vez mais caros, o m2 mais valorizado e por isso o espaço tem que ser bem aproveitado.
Com esse pensamento na cabeça, conheci a Resource Furniture, uma loja de NY que produz móveis práticos, confortáveis e com design atraente. Além disso, os preços são acessíveis comparados a categoria de móveis funcionais, já que são produzidos em escala. A mesma escrivaninha que você usa pra trabalhar de dia pode virar uma cama a noite……sem trabalho de tirar as coisas de cima da mesa. Prático, como a vida deve ser.
Kamila
Nenhuma das alternativas é uma alternativa
Ontem a noite vi um filme brasileiro que me chamou muita atenção, “Linha de Passe” de Walter Salles e Daniela Thomas.
Uma mãe (a Cleusa), 4 filhos e 1 na barriga. Cada um na sua própria luta, batalhas diárias e intermináveis, e o grande e quase insuportável esforço para não cair na promissora e tentadora criminalidade.

Já vi muitos filmes desse tipo, mas esse me tocou de um jeito especial. Conheci muitas “Cleuzas” durante os projetos de classe baixa da CO.R, passei tardes inteiras com elas… tardes serenas e cheias de esperança!
E ao assistir esse filme, vi essa realidade dura e cruel de um outro ângulo, sem censura. Mesmo sabendo o quão sofrida todas elas são, elas transpareciam uma tranqüilidade e uma “alegria” frágil e ao mesmo tempo verdadeira que me encantava. Ali vivíamos um momento de paz, pois seus problemas estavam distantes, mesmo que por algumas poucas horas.
Essa “falsa” felicidade me confortava, e me fazia ver aquele cotidiano como algo menos doloroso. Elas conseguiam me convencer de alguma maneira que as coisas iam melhorar e que era preciso ter esperança e acreditar. Eu saía da casa de todas elas acreditando!
Só que não sei se acredito mais…

Ah, como eu admiro essas mulheres! Como são evoluídas e como é lindo e grande a maneira como vêem as coisas.
Me inveja esse otimismo, essa esperança de encontrar cor nesse dia-a-dia tão preto e branco, nessa realidade que não dá sossego e não perdoa!
Marília
Mudança no figurino
O que faz de um super herói um super herói?
Seus super poderes, sua capacidade de transformar um trauma de infância em ações altruístas ou simplesmente sua força, coragem e vontade de salvar o mundo? Pra mim, eles sempre foram seres fantásticos, meio humanos e meio deuses, vivendo intensamente sua dupla personalidade. Acho estranho quando tentam enquadrá-los em padrões humanos convencionais e corriqueiros. Será que as pessoas querem acabar com a veneração ao inalcançável ou querem se sentir mais heróis?
“É uma (nova) imagem criada para ser levada a sério, como guerreira, e em parte, uma resposta às muitas fãs femininas que durante anos perguntaram como ela conseguia lutar naquela roupa, sem que os peitos pulem para fora?’”
Tudo (em drops) ao mesmo tempo e agora.
Hoje conheci um blog chamado Resenha em 6. Como o próprio nome diz, a regra é resenhar tudo que for ‘resenhavel’ em seis linhas. Vale tudo: filmes, livros, CDs, restaurantes, bares, programas de TV, produtos.
Achei o blog perfeito pra ilustrar a falta de tempo e de foco em que vivemos. Estamos cada vez mais dispersos, viajando de link em link e desejando a informação mastigada, seja em 3 toques ou 6 linhas. As informações voam por aí, enquanto pescamos o que for possível cada vez mais rápido nem que seja superficialmente, o importante é seguir para a próxima.
Fico pensando se algumas instituições já sentiram essa mudança e o que estão fazendo para operar nessa freqüência.
Fiquei imaginando por exemplo, como seria a missa em uma versão resenha 6. O padre resumindo a passagem bíblica direto ao ponto do ensinamento e na sequência a comunhão sem a contextualização sobre a ultima ceia, afinal é informação já absorvida pela audiência. Sem folhetos extensos ou livretes com músicas ou notícias sobre a paróquia…tudo via sms mesmo ou e-mails com poucas linhas.
E as escolas? Melhor contar com Machado de Assis, Lima Barreto e Clarice Lispector nas versões onlines e pockets para as aulas de literatura.
Enfim…mais cedo ou mais tarde todos vão ter que se adaptar…
Kamila












